João espanhol não é espanhol, apesar de viver em Badajós, ser filho de espanhol por parte de mãe.

João é vinhateiro no Douro, apesar de viver das aulas que dá como engenheiro eletrônico na faculdade de Engenharia da Universidade de Badajós para o primeiro e segundo ano e, principalmente, dos negócios que faz com produção de energia foto-voltaica.

João é o Eng João Turegano Caetano, o cara que me pagou a estadia nesta semana de Meia Maratona em Régua no Douro. Pagou, porque ele foi com os meus cornos quando – meses antes, ao me apresentar seus dois Quinta da Mieira – disse que seu branco era bom, muito superior aos brancos que esperava encontrar no Douro, vinhos quase sempre de pouca consistência/consequência.

Em Badajós
Em Badajós

Disse para a turma, lá no restaurante do Museu rupestre do Vale do Côa (http://www.arte-coa.pt/), discuti com todos e particularmente com o próprio João, que o vinho dele branco, apesar de ser bom é apenas um vinho branco que, como os outros no Brasil, tem aquele caminho a percorrer para repartir os 15% do mercado de vinhos finos de pouco preço, ou para se diferenciar e ficar junto com grandes vinhos, como ele se apresenta ser. DSC04655 O pessoal que curte vinho na Europa não  acredita que os brasileiros não tomam vinho branco, que vai ser preciso fazer um trabalho muito especial. Falei que Rabigato 100% é bom por ser novidade, mas por ser novidade é ruim ao não agregar nenhum valor. Traz a marca do Douro, mas o Douro com marca é tinto, é Ferreirinha, é Craxto, é Dona Maria, Vallado, é Neeport, é Douro Boys etcoetera.

Em uma semana de convivência, nunca os vi tomar apenas o tinto, quase sempre os dois juntos, preferencialmente o branco. O que fazer? Primeiro vou comer esta comida DSC04663 Uma alheira super bem temperada e um chourico difícil de conhecer melhor.

DSC04673

Depois vou pedir   para que o João e o Artur, proprietário e vinhateiro sentem comigo e matem este javali de panela, regado ao vinho branco que está me deixando com tamanha água na boca que nem sei como contar. Ou melhor, quero saber também porque cortaram do jeito que cortaram o vinho tinto com as tourigas e com as tintas, porque fermentaram em lagar e deixaram seis meses em madeira… Quero saber porque não pegam as uvas mais tânicas e misturam com um pouco da branca, como fazem no Rhone Alto. DSC04671 DSC04711 Vou andar pelas terras, descobrir porque este Rabigato é tão interessante e diferente, de fato, é a primeira vez que vejo esta uva ser tratada com o devido carinho, ter sua fermentação totalmente controlada na temperatura, passar um estágio em borras, como se fosse um grande vinho, que no fim, mostra-se ser. Esta terra é muito xistosa, fria pra danar, seca para dar com o pau.  DSC04701 Chama atenção os pombais que se encontra pelo terreno, tudo muito fácil de reconstruir e transformar o pedaço num sitio de agro-turismo. Tem até burrico puxando arado, nada mais artesanal do que isso… Tem até uns caras pousando para foto. Nada tão igualmente amador. Além de mim, os sócios do empreendimento EmcoDouro, gente que acredita que vai vender bem os vinhos do João espanhol, que não é espanhol, que é professor de engenharia em Badajóes, nem vinhateiro é. DSC04723 DSC04732 é. Mas que o vinho dele é bom, tanto o branco quanto tinto é, foi o que tentei falar pra eles, mesmo antes de ficar assim, tudo meio torto, tudo meio fora da Régua. DSC04757   Então é assim, ficamos aqui entre a Foz do Côa que desagua no Douro, neste museu que é uma beleza por dentro, por fora e pelo meio.

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