Garnacha, Grenache, Cononau e os esquimbau.

foto garnachaTem degustações que dão mais certo do que outras, são tantas as variáveis a começar pela qualidade dos vinhos destacados.

A que promovi nesta terça feira última tinha alguns componentes muito positivos –

  1. O tema instigante, vinhos com Garnacha/Grenache, uma uva responsável por alguns dos vinhos mais considerados nos dias de hoje, um belo cruzamento entre o velho e o novo mundo, inclua-se no velho os históricos vinhos de corte provençais, os Cononau sardos e alguns dos melhores vinhos de Aragão, e no novo os australianos, sul-africanos e agora chilenos com as uvas provençais… E no meio deles, o novo Priorat espanhol, o novo Toro, o novo Garnacha, em suma.
  2. Os vinhos bastante aguardados, o que excita os neurônios, deixa todo mundo querendo adivinhar, descobrir, reconhecer. Tinha um Chateauneuf du Pape, um Priorat e um branco dos Pirineus, todos aprovados com mais de 92 pontos pela turma do R. Parker, sendo que os outros vinhos não ficavam muito atrás. E estas informações tinham sido passadas antes da prova, de propósito, só para ver como a turma reagiria a este estímulo.
  3. Tinha uma comida extremamente bem feita e apropriada, a começar pelas lulinhas a provençal fumegantes e a barca de pupunha grelhada, para contemplar o rosé e o branco…
  4. Fazia uma pausa a seco para a degustação dos cinco tintos e continuava com os suculentos tagliatelle com linguiça e Bife de chorizo com polenta mole com parmesão.
  5. Tinha uma turma renovada, com 4 novos participantes, gente que jamais tinha praticado conosco esta atividade mensal que tentamos manter através dos tempos. Ao mesmo tempo que quebrava um pouco o clima de intimidade e companheirismo criado depois de tantas degustações, trazia de novo um traço positivo de respeito reverencial e curiosidade sobre o potencial dos novos da turma.
  6. Surpresas no resultado! Nada mais formador que quebrar paradigmas, certezas consolidadas pela literatura e pela política do “quanto mais caro e bem pontuado melhor”!

Os vinhos (3 garrafas de cada um dos descritos abaixo):

Degustação Garnacha/Grenache

  1. Chateauneuf du Pape, Bosquet du Pape Tradition 2011(RP,WS 92) Produtor: Maurice & Nicolas Boiron
Castas: Grenache 75%, Syrah 11%, Mourvedre 11% Cinsault 3%: 14.5% Vol.
  2. Mas Martinet Menut Priorat 2010 (WA 97): Garnacha, Cariñera, Syrah, Cabernet Sauvignon e Merlot, 18 meses em barrica, 14,5%
  3. Cotes du Rhone Rasteau Vielles Vignes Grand Nicole 2011(RP 92+) Jean Pierre Bertrand: Grenache 70%, Syrah 30%: 15, 5% Vol
  4. La Garnacha Olvidada de Aragon 2009 (Peñin 90) – Garnacha Roja 100%, vinhas velhas (1940), 10 meses de barrica francesa
  5. Zuccardi Textual Caladoc 2008 – Caladoc
  6. Rosé – Chateau Montaud 2013 Rosé – Grenache : 50%, Cinsault : 40%,
Syrah : 5%,
Tibouren : 5%
 (WS 87)
  7. Branco – Domaine Lafage Côtes du Roussillon Centenaire 2013 (RP 93): Grenache gris & blanc 80%, Roussane 20%
 13 % Vol.

lafage


Antes dos serviços tivemos a leitura do texto localizador abaixo, que enviei a todos os participantes* e que dá um pouco da história, das características de cada vinificação local e a lista dos vinhos que seriam degustados.

Tudo dito, o pessoal foi se acostumando com os vinhos tintos, dois franceses, dois espanhóis e um Caladoc argentino, a grande surpresa positiva da noite, muito bem avaliado.

1ª pergunta sem comida – Quem jamais compraria este vinho?

No meio de grandes feras, a turma tendeu para o Caladoc, talvez pelo seu álcool novomundista, talvez por sua modernidade e equilíbrio. Ele e o Chateauneuf du Pape foram os únicos que não tiveram nenhuma rejeição, passando com louvor pela primeira análise, aquela que descartamos um ou mais amostras da nossa adega. O mais rejeitado, o mais difícil de digerir sua originalidade foi o Priorat com 4 votos negativos, seguido pelo Aragon e pelo Rasteau que agradou menos do que o esperado.

2ª Pergunta sem comida – Que vinho você compraria?

 Aqui o Priorat e o Rasteau continuaram trilhando um perfil polemista, recebendo 4/5 votos positivos, acima bem acima do Chateauneuf du Pape com 2 e o Aragon com 1, mas nada que ameaçasse a liderança do Caladoc que com 11 votos nadou de braçada.

Pergunta única com comida – E agora quais são as preferências?

 O Caladoc se manteve bem a frente dos outros, apesar de ter perdido 2 votos na passagem definitiva. Quem mais cresceu na avalição geral foi o Aragon, que partiu de 2 avaliações negativas e ganhou 5 votos positivos nesta avaliação final. O Chateauneuf du Pape, recuperou um pouco o orgulho ferido e chegou com 3 votos, empatando com o Rasteau. O Priorat, coitado, não resistiu e sucumbiu sem qualquer voto a favor, referendando sua péssima performance na 1ª das perguntas.

Resultados – ( ) posição na degustação às cegas – 1ª pergunta – 2ª pergunta – 3ª pergunta

Priorat (5)                             -4+4+0
Chateauneuf du Pape (2)      -0+2+3
Aragon(1)                             -3+1+5
Caladoc(4)                           -0+11+9
Rasteau(3)                           -3+5+3

CastillaLeon_1360*Grupo FAAP-Santo Colomba-Winecoachbr – Encontro 25 de 19 de agosto de 2014

Poucas são as uvas tão versáteis quanto a Garnacha, uva que entrou na França pelo lado catalão e, com o nome traduzido para Grenache conquistou toda a costa mediterrânea chegando até Orange, acima de Avignon.

Nos dois países é pau pra toda obra… Toda obra mesmo, de vinho branco com pouca estrutura a vinho branco super firme e gastronômico; de vinho rosado seco e firme como um Tavel a um menos firme e atual como o este Mountaud frutado e floral que vamos degustar, como se espera normalmente de um rosé (eu espero mais, sou da turma do Tavel, que conta com um corte que leva Cinsault, Syrah e Mouvedre além do Grenache); de vinho fortificado como os Banilyus a vinhos de corte como tantos maravilhosos de Toro, Priorat e Aragon na Espanha, ou mais ainda nos Cote de Ventoux, Lyrac, Nîmes, Rasteau e o mais conhecido e considerado Chateauneuf du Pape.

Tem ainda umas novidades como este enxerto Caladoc feito pelo Inra – Instituto Nacional de Pesquisas Agrícolas francês – que mistura Grenache Noir e Malbec, resultando num vinho mais tânico e de cor mais densa.

A Garnacha parece ter origem na Calunha ou em Aragon – visto que em Rioja leva o nome de Tinta Aragonesa – e dá o seu melhor em regiões muito terrosas e secas, continentais, com grande gradiente térmico, com muito calor e frio (http://vimeo.com/33791316). Espalhou-se França afora e domina uma boa parte do Languedoc e Provença.

Pois, para o gosto de hoje (?), falta-lhe quase sempre um tanto de cor e taninos mais pntudos, apesar de não ser tão amável assim, depende muito do plantio, porque é dessas uvas antigas, produto de vinhos populares e sem grandes cuidados, saiu de moda logo que produtos mais sofisticados foram ocupando as prateleiras.

Mas nada disso parece verdade verdadeira, porque em determinada literatura falta-lhe e cor e taninos, em outra, ao contrário, é uva que entra em misturas pelo açúcar, força alcóolica, cor…Evidentemente, está naqueles produtos que não ganharam prestígio além do local, perderam espaço para as uvas internacionais e para as Tempranillo e Syrah da vida. Mesmo assim continua sendo uma das mais plantadas, perdendo apenas para a Cabernet Sauvignon e a Merlot

Espera-se dela toques de framboesa, morango, ameixa, damasco, pimenta do reino, especiarias, azeitona preta, castanha portuguesa assada, café e couro.

Tudo dito, no entanto, ela é uma das uvas mais difundidas, mesmo tendo perdido tanto espaço para as uvas da moda de plantão em suas terras de origem – Espanha e França. A saber, planta-se Tempranillo no lugar que antes era da Garnacha. Está presente na Espanha, na Itália e na França, nos EUA, na Austrália.

Seu nome varia para Tinta Menuda no Priorat e na Catalunha; Grenache na França, Cononau nas ilhas Sicília e Sardenha; Rood Grenache da África do Sul e algumas outras.

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