Artigo do Le Monde- Cruzes-hermitage

http://www.lemonde.fr/m-perso/article/2018/01/29/crozes-hermitage-le-bon-gout-en-heritage_5248480_4497916.html

LE MONDE | • Mis à jour le | Par Ophélie Neiman

Tradução livre e não autorizada pelo autor – minha.

tain-hermitage-80047Esta estrela dos bistrôs tem tudo para agradar: os perfumes da Syrah, um ar de hedonismo, e, principalmente, dezenas de milhares de hectolitros de produção.

O bom senso é o que se melhor divide, escrevia Descartes. Degustando um Crozes-hermitage, pensa-se que o bom gosto é o prolongamento natural deste pensamento. Esta AOC tem uma popularidade fiel e meritocrática. Nos bistrôs dos bairros, ela ocupa, há ao menos 15 anos, um lugar de destaque para quem quer degustar um vinho prazeiroso, chique sem ser caro em demasia. Mesmo que venha perdendo terreno para os vinhos mais chamativos e menos caros, quase sempre do Languedoc, o Crozas-hermitage continua sendo uma opção sem riscos.

CrozesÉ um vinho que nasceu com a estrela. Ou, mais que isso, sob a luz de um excelente paralelo, o 45e norte, com quem divide regiões como Bordeaux, Oregon e Piemonte. Uma latitude considerada como uma linha de equilíbrio ideal para os grandes vinhos.

A pequena cidadezinha de Crozes (do latim Crucem, “A Cruz” ou “Cruzamento”) vizinha de Tain-Hermitage, faz o papel de contrabaixo da famosa Hermitage. A Appellation Cruzes-hermitage nasceu em 1937.

No inicio, serviu de limite da comunidade, para dar evidencia às belas parcelas do Hermitage. Foi preciso esperar até 1952 para que a Appellation ganhasse sua dimensão atual, de 1700 ha de vinhas plantadas, podendo chegar a 3000ha, com 80 mil hectolitros anuais, a metade de toda a produção do Rhone Not, que contém igualmente Saint-Joseph, Hermitages, Cornas e Condrieu e Côte-Roties reunidos.

rotulo CH
Um dos rótulos da AOc mais famosos entre nós

Para saber mais http://www.lemonde.fr/m-perso/article/2018/01/29/crozes-hermitage-le-bon-gout-en-heritage_5248480_4497916.html#AUs2kVlRWpQA97pj.99

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Crescimento de exportação dos espumantes italianos. Fonte Sindicato Agrícola Coldiretti.

Tradução livre e não autorizada de artigo da Revue du Vin de 03/01/2018.

As exportações de vinho italiano atingiram números inéditos de 6 bilhões de euros em 2017, um acréscimo de 7%, anunciou o principal sindicato agrícola da Itália, logo na virada do ano. Para comparar, a França exportou 7,9 bilhões de euros em 2016.

As vendas para os EUA cresceram 6%, principal cliente histórico dos vinhos italianos, mesmo com a alta do Euro. Cresceram igualmente para o Reino Unido (8%) e Alemanha (3%).

OS VINHOS ITALIANOS SEDUZEM RUSSOS E CHINESES

Mas é na Russia que o vinho italiano bateu todos os recordes com um aumento de 47%, até porque a Itália não obedece as sanções que sofre a Russia por conta da invasão à Ucrânia. As vendas na China progrediram 25% mas são relativamente pequenas se comparadas às francesas.

São os vinhos espumantes como o Prosecco que sustentaram as exportações italianas, pois cresceram 15% em valor atingindo 1,1 bilhão de Euros, sempre segundo o Sindicato Agrícola Coldiretti.

CLAQUETE 5

Biondi Santi– Agghhhh, que vinho ruim. Você não podia ter trazido algo melhor?

Foi assim que fui recebido e gozado num jantar em pizzaria que um amigo convidou, em comemoração ao aniversário dele.

Estavam presentes mais 3 convivas que comigo e o aniversariante, completava uma mesa de 5.

Levei o vinho de presente, um Brunello di Montalcino que merecia respirar por ao menos, por no mínimo, no limite, UMA HORA E MEIA.

CastelõesPois o trouxa do aniversariante – por mais que eu protestasse – mandou abrir e servir.

Então pedi um vinho da casa para todos, um vinho fácil de beber com pizza, muita acidez e frescor, taninos de baixa complexidade, vinho que na pizzaria não passava de R$70,00. Disse que ficassem tranquilos, pagava eu

jarra– Mas não basta a merda do vinho que você trouxe?

O pessoal tinha conhecimento e ao menos dois deles já tinham ouvido falar de Brunello, mas estes eram os mais inconformados.

-Deixem o vinho que eu trouxe, bebam deste que acabei de comprar.

A questão do vinho voltava à conversa, todos amigos, com intimidade para me pegar no pé. Mas obviamente, era gente que tinha o que contar, gente de boa índole e otimamente formação, alguns deles professores universitários, das mais consagradas universidades deste país. Alguns se conheciam há mais de 20 anos, como era o nosso caso, do aniversariante e eu, que tínhamos feito parte de nossa faculdade juntos, por algo como 3 anos.

A uma determinada hora, muitos pedaços de pizza depois, disse que tinha começado a chegar a hora de tomar o vinho, que finalmente ele já tinha envelhecido um pouco, pela ação do oxigênio do ar.

Disse, queria dar uma oportunidade a provarem um dos melhores vinhos que jamais tinham tomado.

– Tomem de novo, vejam se continua uma merda!

O envelhecimento em taça, a hora e meia que o vinho se manteve lá, foi suficiente para que tivesse mudado do vinagre para o vinho. O oxigênio tinha feito o seu papel de amansar os taninos fogosos, permitindo que ele mostrasse suas frutas, suas especiarias, suas qualidades em boca, que fizeram da região uma das mais consideradas no mundo inteiro.

Todos se olharam com cara de bobo e último a rir fui eu.