Esta é uma historia que precisa ser mais ou menos bem contada, porque lida com um preconceito enraizado na mente da Inteligentia dos que lidam com gastronomia no Brasil.

O vinho se consolida como produto para o brasileiro, mas o vinho feito por aqui ainda encontra certas resistências.

De fato, duas pequenas coisas importunam a historia do vinho brasileiro: a qualidade e o preço…só essas duas coisinhas!!!

Também pudera, esta historia nasceu pelas mãos de gente que produziu para o seu próprio consumo, imigrantes que mal haviam se instalado vindos principalmente do vêneto italiano. Faziam vinho sem conhecimento acadêmico, faziam porque era esta a cultura, tentavam reproduzir aqui o que sempre fizeram em suas terras de origem, em quase 100% dos casos.

Nestes 100 anos de existência, no mais das vezes concentrado no Rio Grande do Sul, na região que vai de Flores da Cunha até Bento Gonçalves – com exceções como São Roque em SP e os brancos Goethe próximo a Florianópolis – o vinho era feito principalmente de uva de mesa, mais apropriada para o consumo in natura ou para suco. Vinhos vendidos em garrafões de 5 litros, muitas vezes adocicados com açúcar de cana.

Quando não, feitos de uvas viníferas europeias, eram irregulares demais – um ano bom por conta da seca em época de colheita, cinco anos ruins por conta do alto índice pluviométrico que aguava as frutas já maduras… outro ano mais ou menos, seguido de mais cinco ruins…Assim não havia incentivo à boa produção, por mais que os anos bons tenham produzido vinhos que entraram para a historia, vinhos como comprovam o Velho do Museu, Dal Pizzol, Chateau Lacave, Granja União e outros que puderam mostrar como o vinho da região tinha lá seu potencial.
Potencial este, por sinal, detectado pela Universidade da Califórnia Davis, a UCDavis, a principal escola de agronomia dos EUA, a única escola pública que se mantém entre as 10 melhores do mundo, que em 1970 sugeriu a produção de uvas para vinho no paralelo 41, na Campanha gaúcha, resultando na implantação da gigante americana Almaden, assim incentivando a vinda de outras multinacionais do vinho como a Moet Chandon francesa e a Martini&Rossi italiana, a primeira num projeto grandioso que envolveu Mendoza argentina, a Califórnia americana e Vale dos Vinhedos gaúcha.

A italiana veio com propósitos firmes de fazer no Brasil um polo de produção a partir da Moscatel a partir do método Asti de espumantes, que interrompe a fermentação da uva por choque térmico quando ela atinge os 7% de álcool, restando grande residual de açúcar no vinho, agradando a quem gosta de bebida mais doce.

1990

Passados os anos, o amadurecimento desta promissora agroindústria e procura de novos consumidores começa de fato em torno dos anos 1990, com investimentos em nova tecnologia, desde a compra de mudas escolhidas de uvas importantes, até a implantação de técnicas que privilegiam a qualidade e não a quantidade, seguindo os princípios da década anterior que vinham transformando radicalmente a produção europeia e do Novo Mundo, tendo a liderança da Austrália e dos EUA neste processo de renovação.

No Chile e na Argentina, a presença de técnicos modernos como o famoso Michel Rolland foi decisiva para o novo vinho do Novo Mundo.

No Brasil, os seguidores foram se fazendo notar, com gente como Mario Geisse, Idalêncio Angheben – nosso decano da enologia – e Adolfo Lona prestando consultoria para várias empresas que queriam migrar para este novo mercado, que era de um vinho muito diferente daquele que se produzia e se consumia por aqui até então.

2010

Dando um salto de mais de 20 anos nesta historinha e chegando aos dias de hoje, tanta coisa mudou, a começar pelas cidades, que mudaram muito, perderam a característica primeira das cidades reserva de mercado de trabalho, tornaram-se megacentros do setor de serviços, causando grandes transformações do ponto de vista dos costumes.

Aquele vinho de garrafão servido em copo americano que os diaristas da indústria tomavam de pé nos bares enquanto esperavam a marmita esquentar em torno das fábricas de Sto Amaro e Lapa não existem mais.

A cidade foi recheada de gente que tem atividade de escritório, as contradições se sofisticaram, é gente que está ligada em questões que passam ao largo das questões do enfrentamento direto entre o capital e o trabalho. São Paulo, por exemplo, criou uma indústria de turismo empresarial e diversão que movimenta um número de mais de 15 milhões de pessoas/ano, em boa parte estrangeiros, em boa parte consumidores de vinho…

Muita coisa mudou neste comércio. Hoje em dia, os supermercados têm um equipamento que garante a conservação, ao contrário do que acontecia até 10 anos atrás, quando o vinho recebia o mesmo tratamento dos enlatados.
As gôndolas voltadas para este produto cresceram e se multiplicaram.

As importações dos vinhos – ao contrário do que muito pensam – impulsionou o mercado em geral, levando o vinho brasileiro de roldão para um ponto superior, pois mesmo perdendo fatia percentual do bolo anterior, ganhou boa musculatura em números absolutos.

Gente que amava vinho, mas não tinha nada a ver com este departamento da economia – a não ser do ponto de vista do consumo – decidiu investir dinheiro e competir. Foi o caso dos donos da Cecrisa/Porbelo que investiram um bom dinheiro bom vindo da cerâmica, para construir a ótima vinícola Vila Francioni em São Joaquim, abrindo espaço para a Pericó, pertencente ao grupo Malwee de tecelagem…O mesmo para o grupo Randon que se uniu à Miolo para seus vinhos RAR. O mesmo para o locutor Galvão Bueno, que fez caminho similar e montou a sua Bueno. O mesmo se pode dizer da Routhier&Darricarrere ligada à maior empresa de cítricos da América Latina, a Citrosul… O mesmo para a gigante em genética animal, Guatambu, que resolveu fazer vinho também. O mesmo para a Luiz Argenta, que comprou a terra onde um dia foi a pioneira Granja União em Flores da Cunha, cujo acumulação do capital veio de uma poderosa rede de postos de gasolina. O mesmo para a mineradora da família Guaspari, que agora produz um dos vinhos mais bem avaliados do mercado.
Dinheiro bom em negócio ruim? Onde já se viu empresários bem-sucedidos jogar dinheiro fora?

Na outra ponta, pequenas vinícolas investiram em treinamento, maquinaria e cultura, tornando a produção algo muito mais sério.

Os velhos players evoluíram, passaram a produzir com muito mais qualidade e tecnologia. Cito só de passagem a Valduga, a Miolo, a Perini, a Aurora, a Salton, quase todas constituintes de um capital primitivo muito aquém do que fazem hoje. A Aurora, a maior do Brasil, especializada nos vinhos de uva americana, faz – desde a virada do milênio um Cabernet Sauvignon, o MIllesime, de bela estrutura e bom preço. Em Pinto Bandeira, faz dos melhores chardonnays e pinot noir do país. A Miolo tem a melhor variedade de produtos e presença em quase todas as regiões produtivas do país.

A Salton, que conseguiu sair do buraco graças à força do Angelo Salton e seu conhaque (?) Presidente, faz, além dos premiados Desejo e Talento, alguns espumantes que não param de surpreender, como o Aziz que acaba de ganhar uma degustação as cegas que liderei, tendo presença de pesos pesados como a champagne da rainha da Inglaterra Lanson e um Franciacorta, além de um Geisse e do Vertigo da Pizzato.

A Perini que criou um braço de uvas viníferas para exportação, faz vinhos para o mercado norte-americano de boa aceitação e, com ótima consultoria enológica tem vencido provas importantes com seus tintos, brancos e espumantes.

Sem contar com empresas que passaram a ter seus próprios rótulos, incentivados pelo horizonte otimista que se fez, como é o caso da Vallontano, da Anghebem, da Lidio Carraro, da Pizzato, do Maximo Boschi e tantas outras que merecem citação.
É que o preço e a qualidade dos produtos que se fazia aqui foram se mostrando competitivos, e isto já estava mais do que provado em 2013, quando tive a oportunidade de liderar uma degustação de vinhos brasileiros, argentinos e chilenos com especialistas que vieram de toda parte do mundo para garantir a idoneidade da prova. Nela os nossos produtos passaram nas provas de preço e qualidade mostrando que são tão bons ou as vezes melhores que vinhos altamente conceituados, como, só para dar exemplos, Clos de Los Siete, Errazuris e Achaval Ferrer.

As desvantagens comerciais vis-a-vis os produtores vizinhos, beneficiados pelos acordos do Mercosul; depois de tantas provas ganhas mundo afora, provas que envolvem milhares de produtores do mundo inteiro com a presença dos mais idôneos e experientes degustadores; no momento em que os acordos entre a Europa e o Mercosul estão para sair do papel e se tornarem realidades.

Neste momento, considerando tudo dito, a consagração do vinho brasileiro está vindo a cavalo. Nas provas importantes da Bélgica e da Inglaterra, vinhos do Rio Grande do Sul, de Sta Catarina, de São Paulo, em várias categorias, estão se mostrando excelentes, muitas vezes levando os maiores prêmios.

Hoje em dia, os vinhos brasileiros já aparecem no anuário Descorchados do Patricio Tapia, que a 21 anos reúne o melhor dos vinhos da América Latina. Ocupa 80 das 1200 páginas do guia, o que não é pouco, se considerarmos que não havia massa crítica para participar até poucos anos atrás.
Guatambu, Guaspari, Valduga, Monte Paschoal, Geisse, Maximo Boschi, Peterlongo, Domno, Estrelas do Brasil, Miolo, Luiz Argenta, Pizzato, Via Piana, Serena, Perini, Leoni de Venezia, Quinta da Figueira e tantos outros ganharam destaque, com notas sempre acima dos 90 pontos em 100 possíveis.

Outros se destacaram na Decanter World Wine Award 2018. A Decanter é a mais prestigiada revista do mundo do vinho. Sua seleção reúne 275 jurados, que julgam quase 17 mil rótulos vindos de 61 países produtores. Os maiores prêmios foram divididos entre os franceses e italianos, 12 e 5 respectivamente, entre os 50 melhores do mundo.

O Brasil se apresentou bem, ganhando várias medalhas de ouro com Peterlongo, Valduga, Guaspari, Salton, Domno, Miolo e Perini.

Os vinhos brasileiros estão na Ásia e nos EUA, na Polônia e na Alemanha. Estão obviamente mais presentes em países com tradição de importação do que de produção, onde os habitantes estão acostumados a tomar os vinhos que produz.

Estão atingindo boas marcas, mesmo quando a produção não é de grande escala, mas a presença dos maiores entre os mais premiados é também significativa do investimento em modernização e diversificação que se está vivendo.

De uma produção folclórica e irregular, com um consumidor local e de baixa renda, o vinho brasileiro tornou-se competitivo em praticamente todas as frentes. Superou barreiras tecnológicas, climáticas, antropológicas, regionais. É produzido em cinco regiões diferentes, diversificando seu perfil, possibilitando grande gama de alternativas em uvas e vinificação.

QUANTO ÀS INDICAÇÕES DE ORIGEM – uma tomada de posição sobre DOC e outras regras

E assim as regiões produtoras vão se especializando em cepas. Com os prêmios ao Tannat Guatambu, que reforçam a vocação da região, detectada desde o Vinhas Velhas Almaden; com a vocação para Syrah entre os vinhos de inverno de SP e MG e com a já reconhecida e consagrada vocação ao Cabernet Franc e ao Merlot do Vale dos vinhedos vão se solidificando certas tendências, sem que se precise engessar em IGTs cada uma delas.

Pois foi em Garibaldi que se deu o Nebiollo Bettu, em Flores o Serena PN; em Rosário do Sul o Routhier&Darricarrere Cabernet Sauvignon; foi na Campanha de cá que se deu o Castas Portuguesas Miolo…Não somos a França que tem tradição a defender, cepas em extinção a preservar, mercados constituídos com expectativas a cumprir.

Por estas razões as Denominações de Origem e suas regras de procedimento permitiram o desenvolvimento de muitas regiões.

Aqui não temos passado a defender, ao contrário, temos apenas futuro a consolidar.
Determinar que um vinho é de tal região apenas quando atinge determinados níveis de concentração de álcool, quando se utiliza apenas de uvas cultivadas na região determinada, em nome da qualidade, OK.
Além disso é gesso, é tiro no pé.

Pela Itália no pátio da minha casa

os vinhos da noite
Pizzato Brut RoséAsprino di Aversa DOC Tenuta Fontana – Barbera D’Asti Superiore Solerita – Ripasso di Valpolicella 2014 Costa Mediana – Barolo DOCG Serradenari Menzione Geografica Aggiuntiva Giula Negri – Campania Aglianico IGT Tenuta Fontana

Tudo deu certo, os investidores, os vinhos e a comida investida, o clima (Weather), o clima (friendship) e o clima (reflexions, details ecc. ).

A idéia era aproveitar meu ataque de humildade, aquele que me acomete toda vez que vou visitar coisas que não conheço no mundo do vinho e descubro que estou tão longe de atingir a meta do completo conhecimento quanto o arqueiro que pretende atingir a lua com sua flecha, como dita a velha historinha chinesa contada em círculo de gente que luta.

Imagine só, não conhecia nada sobre o Asprino di Aversa, uma uva autóctone de bago branco da região de Nápoles, usada como barreira de proteção contra os inimigos dos Bourbon, diz a lenda. As vezes cultivada ainda em arbusto, chega a ter mais de 15 metros de altura e não foi dizimada pela filoxera, apresentando, ainda hoje, plantas com 200 anos de idade a todo vapor vegetal.

Para ornar a degustação, entradas italianas, entre berinjelas, pimentões sott’oleo, Sals Ver (molho piemontês que reune pão molho em vinagre, salsinha de montão, um pouco de alho, azeite e anchovas) com salsão e cenouras…

Como primeiro prato, um macarrão que deixou a moçada tonta, do visual ao nariz, deste à boca: o molho de inspiração no Cacciuco livornês, com peixe de rocha, mexilhão, camarão grelhado, lula com a sua tinta, tomate e cebolinhas inteiros grelhados. No serviço, cada elemento ocupando a parte externa do prato, tendo o macarrão no centro do todo. A tinta sujou o prato, mas a sujeira limpou, o prato ficou de se comer de joelhos.

Como segundo um stracotto que ninguém supera, só pode fazer tão bom, melhor não vale. Maminha que depois de selada em cebola e alho na manteiga escura, recebeu uma garrafa de vinho branco para evaporar rapidamente e depois uma garrafa de vinho tinto para ficar conversando pelas 12 horas seguintes, à velocidade mais baixa que o forno elétrico pode fornecer, algo em torno dos 60ºC/70ºC. Depois de tanto andar devagar, ficou despedaçante, tão bom quanto a do Santo Colomba, que me inspirou. Para acompanhar, um purê de pinhão e batatas ao murro, enfeitadas com pedaços mínimos de toucinho assado.

Desta vez, nada de tanta pompa e circunstancia para avaliar os vinhos. Normalmente fazemos avaliação vinho a vinho com duas degustações às cegas, a primeira sem e a segunda com comida.

Aqui não havia porque comparar assim, servidos que estavam bananas e maçãs, ou seja, coisas que não se comparam, um Barolo e um Ripasso, um Aglianico e um Barbera…não há termos de comparação, a não ser maior ou menor afinidade com aquele resultado palativo. Sim, poderia haver sim defeitos perceptíveis, como um cheiro de estábulo que nos remetesse a um problema de higiene etc. Mas não era o caso, não havia o que comparar.

Diferente são os casos que em que os vinhos pretendem atingir um resultado similar, a partir, por exemplo, do uso da mesma uva, mesmo que de clones diferentes. Ou então vinhos da mesma região, submetidos a um mesmo tratamento de solo e clima. Aqui não, aqui não.

COMENTÁRIOS SOBRE OS VINHOS

Harmonização garantida, desde o começo, pois seja o macarrão – cujo tempero levava vinho branco, frutos do mar grelhados no alho picado e vinho branco – seja a carne – que tinha o vinho tinto e o salsão como principais complementos de sabor – não eram em nada difíceis de harmonizar. E, como havia vários vinhos na mesa, não deu tempo sequer para enjoar dos mais novos. Alguém estranhou o forte sabor sem grandes nuances do Barolo, não por acaso, alguém mais acostumado a vinhos andinos. Alguém descartou a importância do tinto napolitano, mas pareceu unânime a aprovação por todos.

Como sugeriu um dos participantes, todos os vinhos mereciam nota alta, a degustação foi um sucesso no quesito vinho.

Tenuta Fontana, Civico 44, Asprinio di Aversa – Fermentação e maturação em aço por seis meses sobre as borras finas. 12,5% de álcool. Cítrico, maçã, pêssego, pétala de flor branca. Acidez intensa, seco, refrescante.
Vinho que complementa a degustação dos brancos italianos, mesmo sendo um português, cuja principal característica é não ser nada amistoso. Vinho ascético, sem qualquer divertimento frutado, na boca ou no nariz. Ótimo para a gastronomia, péssimo para bebericar.ΩΩΩΩ
Mais uma oportunidade do Pizzato Rosé Brut mostrar que os espumantes brasileiros estão num nível além do internacional. Sem esta bobagem de um vinho mais brasileiro, ou seja, menos encorpado, menos importante, rivalizando com prosseccos e quetais. Espumante numerado, com menos de 13g de açúcar, com 75% de Pinot Noir, rivaliza com o que se faz em Champagne, com 12% de álcool, é um ótimo abre-alas, mas também uma ferramenta liquida para tocar um jantar inteiro.
  • Entre um Barolo moderno, pronto para beber, apesar da pouca idade, mas com todas as características exigidas pelo Doc, além de apresentar uma inusitada menção geográfica de origem, pois Serradenari – de onde vem – apesar de ser autorizada a produzir Barolo não é usual; um Valpolicella di Ripasso típico, seja pela tipicidade regional, seja pela tipicidade da vinificação – que lhe garante um álcool a mais do que o Valpolicella Classico que lhe dá estrutura, e um álcool a menos, além de menos dulçor e fruta do que o Amarone que lhe empresta suas peles usadas; um Barbera Superiore que afasta definitivamente a velha impressão que se tinha desta uva, quando era feita apenas como acompanhante de corte para os nobres nebiollos; a novidade veio de Nápoles, também nos tintos, pois o Aglianico da Campania – a uva nativa da Italia com o DNA mais antigo – surpreende com um vigor impressionante. Quem pensava que o sul da Bota se contentava com Nero Davola, Primitivo e outros, agora já não pensa mais assim.

Darwin e as uvas

Por sugestão do dono do blog e-bocalivre, li o texto abaixo do Darwin, aquele mesmo que descobriu e provou que você e eu somos macacos pelados, bípedes, impossibilitados pela natureza a pular de galho em galho como nossos ancestrais. O cara meteu a mão em quase tudo que se movia e em quase tudo que não se movia. Estava adiante do seu tempo em muitos campos de estudo, incluindo ai nossa adorada e idolatrada uva.

          Traduzi, mal e porcamente, o artigo que se segue e que foi publicado no referido blog, e ele está aqui porque achei que havia nele interesse acumulado para todos aqueles que se dedicam à prática de clicar neste “Falando de Vinhos”. Não liguem não se ele não fala muito dos vinhos que você achou em sua última viagem á California, porque foi escrito em 1868, quando o Robert Parker ainda não tinha nascido para dar nota, certificar e aconselhar a abertura das garrafas que fazem parte de nossas adegas.

           Achei de grande interesse porque sempre fiquei com a pulga atrás da orelha, biólogo que não sou nem serei, de onde vem esta tal variedade de cepas egressas da vitivinifera, que sempre nos dizem, é muito mais legal, é muito melhor e superior que a outra tal, sua irmã Caim, a uva americana, que no máximo serve de uva de mesa (de sobremesa?). Como é que Cabernet é Cabernet e não é Shiraz? Vamos ver porquê e como:  

            A vinha (Vitis vinifera).— A versão mais aceita pelos estudiosos sobre a origem da uvas européias é que descendem de uma única espécie, que se encontra viva e cresce selvagem na Ásia Oriental, que tem sua origem na Era do Bronze na Itália e que foi recentemente encontrada em forma fóssil em um depósito de turfa no sul da França. Mas certos indícios levam os estudiosos a contestar esta paternidade única de todas as nossas variedades cultivadas. A semente da dúvida está nas características mutantes da videira, capaz de variar geneticamente por caminhos desconhecidos, apesar de reproduzir fundamentalmente suas propriedades através das sementes. E como veio sendo cultivada desde a mais remota antiguidade, ganhando novas variedades por onde passa, parece improvável ter apenas uma origem. Além do que, a tese da multiplicidade tem fundamento particular nas pesquisas de campo feitas por Clemente, que encontrou várias formas semi-selvagens numa floresta da Espanha.

          Podemos facilmente inferir que a vinha é uma planta que varia muito quando propagada pela semente devido à incrível variedade de formas adquiridas por ela, documentadas desde eras remotas. Novas variedades são produzidas todo ano, como exemplifica bem a variedade dourada, criada recentemente na Inglaterra, e que nasceu de uma outra preta sem ter havido qualquer cruzamento. Van Mons produziu uma grande variedade a partir de sementes de uma única vinha, que tinha sido isolada de todas as outras, inviabilizando – ao menos por uma geração – qualquer cruzamento. E as suas mudas apresentaram “les analogues de toutes lees sortes”, diferenciando-se em quase todos os caracteres, seja na fruta, seja em sua folhagem.

        As variedades cultivadas são extremamente numerosas; Count Odart acha possível que existam em todo o mundo 700 ou 800, talvez até 1.000 variedades, mas sequer um terço destes tem qualquer valor. No catálogo de frutas da Horticulture Gardens of London, publicado em 1842, foram enumeradas 99 variedades. Onde quer que haja plantio de vinha, apareceram novas variedades; Pallas descreve 24 na Criméia, enquanto que Burnes menciona 10 em Cabul. A classificação das variedades tem deixado perplexos muitos escritores e Count Odart opta por um sistema geográfico; mas não entrarei neste particular, e nem menos nas enormes diferenças existentes entre as variedades. Apenas para mostrar quanto é diversificado o desenvolvimento desta planta, pretendo especificar algumas particularidades expressivas, todas provenientes do respeitado trabalho de Odart.

         Simon classificou as uvas em dois grandes grupos, as de folhas rugosas e as de folhas lisas, mas ele mesmo admite que ao menos na variedade Rebazo, as folhas são tanto rugosas quanto lisas; Odart sustenta que algumas variedades têm nervuras não encontradas em outras plantas, enquanto que outras têm folhas rugosas quando jovens e envelhecem lisas. A Pedro-Ximenes tem como característica particular amarelar ao menos as nervuras de suas folhas no processo de amadurecimento, quando não deixa pintado de amarelo toda superfície da folha. A Barbera D’Asti é reconhecível por várias características; entre outras, “”por algumas das folhas, e sempre as dos ramos mais baixos, que se tornam repentinamente de uma cor vermelho escuro”. 

          Muitos autores classificam as uvas a partir do formato do bago, redondo ou oval; Odart admite o valor desta divisão, mas aponta para a Macabeo, que muitas vezes produz bagos pequenos e redondos e, ao mesmo tempo, bagos ovalados e grandes na mesma planta. Algumas, têm uma característica tão marcante que as distingue, como é o caso da Nebbiolo que “apresenta uma ligeira aderência na polpa que circunda a semente, perceptível quando o bago é cortado na transversal”. Uma uva do Reno é citada por amadurecer bem apenas quando o solo é seco, já que costuma apodrecer quando chove demais na época da colheita; ao contrário de uma variedade originária da Suiça, que só amadurece se houver umidade prolongada. Esta última brota apenas na primavera, mas seu fruto amadurece rápido; há ainda as que se dão bem demais com os efeitos do sol de abril e por isso acabam sofrendo com geadas. Enquanto a variedade Styriantem talos quebradiços, o que faz os cachos caiam com facilidade – e a vinha citada é particularmente atraente para abelhas e vespas – outras têm galhos extremamente fortes, resistentes ao vento. 

           Outras tantas características poderiam ser citadas, mas os fatos apresentados são mais do que suficientes para mostrar como são variáveis os pequenos detalhes estruturais e constitucionais da videira. No período da grande doença do vinho na França, determinados grupos de antigas variedades sofreram muito mais do que outras. Entre elas, enquanto a de “Chasselas, tão variado, não teve sequer uma afortunada exceção”, outras sofreram muito menos; a verdadeira Borgonha mais antiga, por acaso, esteve praticamente livre da doença e a Carminat resistiu igualmente ao ataque.

            As uvas americanas, que pertencem a espécie diferente, escaparam integralmente da doença na França, o que faz supor que muitas dessas européias que melhor resistiram à doença devem ter adquirido – num nível inferior – as mesmas peculiaridades constitucionais das espécies americanas. (Charles Darwin, Variation of animals and plants under domestication, capitulo X, 1868. Tradução Breno Raigorodsky)

RELATÓRIO ALENTEJANO – 28/03/2019

vinhos da região –

dois brancos

Eleição do Enólogo e Vinhas Velhas do Paulo Laureano

um rosado

quatro tintos

Dom Martin, Aventura (Susana Estebes), Roquevale, Esporão Reserva

comida

  1. Tremoços, rabanetes temperados, azeitonas pretas.
  2. Caldo grosso de almeijoas e outros bivalves + posta de cação coberta de pirão de caldo de camarão.
  3. Pão coberto de tutano de cabrito temperado com o molho da Chanfana
  4. Chanfana de pernil de cabrito + linguiças portuguesas em vinho branco.
  5. Queijos de leite de vaca e ovelha

Participantes -10 pessoas

Método de degustação – rótulo e conversa aberta, referente a cada um dos vinhos sem e com comida

Resultados – notas possíveis – taça – garrafa – caixa. Em vez de dar notas até 100, quando ninguém dá nota abaixo dos 80, a não ser que o vinho tenha defeito; trabalhar com alguma alternativa como a da Decanter que divide em partes de 20 (17/20 – 15/20 etc.) não satisfaz por ser pretensamente muito técnica, mas apenas esconde uma certa falsidade também. Elegemos dividir os vinhos do ponto de vista do mercado. Ou seja, quanto queremos dele, uma taça basta? Uma garrafa é o suficiente? Ou queremos caixas e caixas?!


1º vinho 1º branco – Paulo Loreano Eleição do Enólogo 2017

Enólogo: Eng. Paulo Laureano
Teor Alcoólico: 12,5% Casta: Blend de variedades típicas portuguesas. Cor: Citrina
Aroma: Cítrico com notas tropicais muito elegantes, agradáveis e uma forte mineralidade.
Prova: Fresco e macio de estrutura marcante e muito atraente.Observações: Vinho desenhado por Paulo Laureano onde toda a filosofia e paixão que emprega na construção de vinhos está bem latente.
Observações do líder: o grupo não curtiu o vinho, não teve empatia com a eleição do enologo. as notas foram baixas, apenas 8 taças. Para alguns participantes, nem mesmo a taça…

2º vinho – 2º branco – Paulo Laureano Private Selection Vinhas Velhas Branco 2016

Teor Alcoólico: 13,5% Casta: 100% Antão Vaz Cor: Citrina Aroma: Pleno de aromas tropicais e casca de tangerina mesclados com notas de especiarias. Prova: Vinho bem equilibrado com forte estrutura. Muito frontal e fresco na entrada, mostra-se depois untuoso com forte personalidade. Final de boca longo, fresco e de extrema elegância. Vinificação: 100% fermentado em barrica novas de carvalho francês e estagiado durante 6 meses nas mesmas barricas. Um assinatura do terroir da Vinea Julieta na Vidigueira.

Comentário do líder: este vinho, por sua complexidade maior, pela estrutura e, principalmente, pela boca longa e com suficiente acidez, foi muito bem com os pratos de mar. Ganhou notas bem significativas: 1 taça – 7 garrafas – 2 caixas

3º vinho – Rosé Cortes de Cima

Enólogo: Eng. Hamilton Reis e Eng. Hans Jorgensen Teor Alcoólico: 12,5% Casta: 50% Aragonez e 50% Merlot Cor: Rosada leve e brilhante. Aroma: Intenso aroma de pêssego e damasco com leve toque de flores brancas e especiarias. Prova: Paladar delicado de acidez viva e refrescante, final mineral e persistente. Observações: Produção total: 10.690 garrafas. As uvas que deram origem a este vinho crescem nas vinhas de Cortes de Cima, onde se segue um programa de viticultura sustentada. Um lote de Aragonez e Merlot, resultante das primeiras colheitas da vindima. As uvas ficaram em maceração pelicular durante 24h a que se seguiu a prensagem direta de ambas as castas com extração exclusiva da fração lágrima. Estagiou durante dois meses em borras finas com agitação regular.

Observações do líder: o rosé não é encarado com pouca seriedade pelo grupo que tem pouca afinidade com este tipo de vinho, muito menos colorido que outros tantos do mercado, bem mais sisudo no nariz e na boca, vinho essencialmente de gastronomia -3 taças – 5 garrafas – 2 caixas

4º vinho – 1º tinto – Dom Martinho

14% – Aragonez(40%), Alicante Bouschet(30%), Trincadeira (20%) e Cabernet Sauvignon (10%) – 12 meses em barricas de carvalho francês – Enólogo Hugo Carvalho – Argilo-calcário.
Observações do líder – o vinho não foi muito bem recebido na degustação sem comida, mas cresceu em aprovação com a chanfana de cabrito, pois acolheu a gordura e o sabor firme do prato de muita horas de cozimento, temperado finamente.
Recebeu notas apenas razoáveis – 6 taças – 3 garrafas


5º vinho – 2º Tinto – Aventura de Susana Esteban

 

13,5%, Aragonês, Touriga Nacional.

Observações do líder: aqui, a madeira ficou faltando no gosto do pessoal. Ninguém falou isso tão claramente, mas é que os aromas terceários não se apresentam e aí o vinho ficou um pouco leve em relação à expectativa.

Ganhou 4 taças – 3 garrafas – 2 caixas

6º vinho – 3º tinto – Roquevale Grande Reserva 2013

14% – Alicante Bouchet, Aragonês e Tinta Caiada. 24 meses de barrica francesa de 2º e 3º uso. Desde o lançamento em 1989 faz grande sucesso, tendo sido premiado por todo canto. A madeira encontrou seu lugar, num vinho com muita potência, mas amaciado pelos anos, está muito bem. Observações do líder: este é o vinho mais emblemático da mostra. Grande ataque, fim de boca longo, álcool e madeira. Tirou 4 garrafas – 6 caixas

7º Vinho – 4º tinto – Esporão Reserva 2015

14,5% – Alicante Bouschê – Aragonês – Cabernet Sauvignon e Trincadeira. Passa 12 meses em barricas francesas e americanas depois de completar a fermentação malolática em inox. Complexo, mentolado, intenso e persistente na boca. O cabernet sauvignon tira qualquer estranhamento, o enófilo sente-se em casa. Observações do líder: este vinho tem menos tipicidade, até porque passa por madeira americana o que lhe dá um fino toque de mentol. Mas é um paladar que se universalizou, particularmente entre nós, norte e sul americanos, importadores de grandes vinhos. Foi o campeão da noite: 4 garrafas – 7 caixas.

NERELLO MASCALESE, UM VINHO NA MAGNA GRECIA, DEBAIXO DAS LAVAS DO ETNA

os concorrentes na degustação. Um vinho surpresa + 4 Nerelli abaixo dos R$500,00 no mercado de SP. O vinho de Eli 2008, Feudo di Mezzi foi – de longe – o grande vencedor.

Antes de entregar os textos do Cofee Book Table “Vinicolas de Charme – Itália” que escrevi em parceria com a Patricia Jota, em 2012, procurei o decano do vinho brasileiro José Oswaldo Albano Amarante, para saber dele se faltava muita coisa nos meus textos de abertura de capítulos regionais.

Nerello em pé franco

Tudo visto rapidamente, ele me disse polidamente ” Falta o Nerello Mascalese no seu livro. Nerello é uma redescoberta, é uma das três uvas italianas mais importantes, fazendo grupo com a Sangiovese e a Nebbiolo, ela não pode faltar “.

Desde então, tenho me esmerado no conhecimento desta uva, particularmente quando tenho oportunidade de prová-la na Itália, onde estive nos últimos cincos anos algumas vezes, particularmente para participar das Vinitaly em Verona.

Confesso que ainda não me satisfez totalmente, esta uva que vem com todo este charme de redescoberta, de ter substituído as grandes de Europa em época de Filoxera, de ter ainda plantações em pé Franco, mesmo nos dias de hoje, videiras de baixo rendimento e alta concentração.

Confesso que espero mais desta uva, pois se na literatura ela me conquistou, na boca ainda não, eu que sou fã não apenas dos vinhos da Borgonha, mas de outros tantos vinhos leves e ácidos, como os polêmicos Grignolino e Primitivo di Salento.

A degustação às cegas era quase desnecessária, porque a litragem do pessoal em matéria de Nerelli era baixa mesmo.

Sabia-se da semelhança que os vinhos produzidos com esta uva tinha com os Pinot Noir, desde o pouco suco/planta, delicadeza da pele, tom de vermelho: intenso, quase granado, com acidez, taninos elegantes e uma mineralidade presente.

Sabia-se que ela se dava nas encostas do vulcão Etna, em terra negra rochosa e areia basáltica, entre o vulcão e o mar, na planície de Mascali, de onde vem seu nome.

Traduzi livremente um artigo de Alessio Turazza, escrito para a revista Gambero Rosso, publicado em janeiro de 2015.

Por ele todos souberam que:

  • A encosta norte oriental do vulcão tem um clima único em comparação ao resto da Sicília. Os vinhedos são cultivados entre os 400 e 1.000 metros do nível do mar, alguns ainda a pé franco (pré-filoxera).
  • As mudanças térmicas entre dia e noite podem atingir no verão até os 30ºC, favorecendo o desenvolvimento do perfil aromático da uva.
  • A brisa marítima atenua a temperatura. O terrenos, fruto da sucessiva erupção milenar, apresentam um forte componente mineral, que muda de um lugar para outro, por conta da composição química do basalto.

Tão importante quanto suas características físicas, as suas razões históricas:

  • A região teve seu desenvolvimento máximo no período da filoxera, pois o terreno arenoso impedia o pulgão de destruir a plantação. Em pouco tempo, as encostas do vulcão se tornaram palco de uma das maiores plantações da Europa.
  • Com o fim da filoxera, o Etna voltou a seu anonimato e só agora recentemente, graças a poucos produtores visionários os vinhos do vulcão reaparecem, em particular esta autóctone Nero Mascalese. Iniciou-se assim a recuperação histórica destas vinhas de arbusto, um sistema de cultivo utilizado pelos antigos gregos, que permite ao vinhedo crescer rotegido do vento e conservar a umidade da base da planta. Os implantes muito densos e o baixíssimo rendimento, contribuem para gerar vinhos de extrema elegância e classe.

Finalmente, sabíamos pelo artigo que a uva Nerello Mascalese amadurece tardiamente, a colheita é feita para lá da metade de outubro. Para o vinho é sempre necessário um forte trabalho de seleção das uvas, com poda bem rigorosa.

Apesar da cor intensa o vinho costuma ser bem transparente, resultado da presença modesta dos polifenóis. Os aromas são finos, prevalescem as frutas vermelhas, além de um tom de especiarias particular; na boca acidez sempre presente, taninos elegantes, com um tiro de mineralidade, devido ao terreno vulcânico.

A Degustação

Anotações dos participantes + o vinho campeão


Como sempre fazemos, e degustações as cegas, degustamos sem comida e com comida, participando e vivenciando como o paladar se altera nas duas situações. Aqui fomos mais longe, visto que a degustação era acompanhada por um Penne a la Norma – massa típica da região de Catania – onde o molho de tomate é complementado com berinjela frita em pedacinhos e ricota seca ralada.

Se na primeira passagem, os vinhos mais perfumados tinham destaque, nesta segunda, andavam para trás na avaliação dos participantes.

Mesmo na comparação com o segundo prato, quando o macarrão curto deu lugar a uma carne grelhada com verduras grelhadas, o quadro novamente se alterou.

Com apenas uma única exceção: o Le Vigne de Eli, Feudo di Mezzo, manteve-se sempre à frente.

Nesta matéria de unanimidades, costumo seguir o Nelson Rodrigues – ela é invariavelmente burra e nos leva a posições ruins. Mas aqui não tinha como fugir:

Quando, na primeira prova, avaliava-se o aroma do vinho recém aberto, sua cor, o conjunto de suas características na boca de modo detalhado, o Feudo foi campeão.

Penne alla Norma, na degustação – foto Fabio Pimentel

Quando no segundo caso, o molho de tomate pedia um vinho com suficiente acidez e presença na boca para resistir e confrontar e complementar o molho complexo, com salsão, vinho branco, noz moscada e pimenta Caiena (uma liberdade do cozinheiro), o mesmo vinho foi o campeão.

Finalmente, quando a carne e os grelhados espartanos exigiam do vinho um comportamento de verdadeira harmonização, onde a boca não pedia dulçor, mas firmeza; onde a cebola grelhada, o pimentão e a batata de forno mantinha o chamuscado como grande atrativo, o campeão esbanjava discrição, sabendo comportar-se como quem conhece a arte de estar junto, de socializar.

Como costuma acontecer, todos os vinhos cresceram na hora dos queijos como a Provola Dolce e o excelente Gorgonzola assinado com a marca da Casa Flora. Mesmo os que tinham notas baixas, sempre pelo ardil que os lácteos provocam nos vinhos que tiveram completadas sua fermentação malolática.

Finalmente, reitero, no entanto, a impressão geral que, apesar de todos os elogios possíveis a todos os vinhos participantes, foi um tanto decepcionante, pois o conjunto não nos permitiu grandes esperanças nos vinhos com esta uva tão bem falada neste milênio. Ou seja, confesso que esperava mais.